terça-feira, 2 de setembro de 2014

Marina Silva é uma cara nova para a direita, diz Boaventura de Sousa Santos


Sociólogo português Boaventura de Sousa Santos veio ao Brasil para o lançamento de dois livros: "Se Deus fosse um ativista dos direitos humanos" e "Direitos Humanos, democracia e desenvolvimento", o segundo em coautoria com a filósofa Marilena Chaui.

Sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, em entrevista à Folha
Fábio Braga/Folhapress
Folha - "Se Deus fosse um ativista dos Direitos Humanos" é um título provocador. Sugere que o senhor acredita em Deus. E sugere que Deus poderia dar mais importância para os direitos humanos. É isso?

Boaventura de Sousa Santos - De fato, não. O título é provocador. Eu não me comprometo com a existência de Deus. Sou como Pascal [filósofo francês, 1623-1662]: diria que não temos meios racionais para poder afirmar com segurança se Deus existe ou não. O que podemos é fazer uma aposta: apostar se existe ou se não existe. Como sociólogo, o que penso é que há muita gente que aposta na existência de Deus e que organiza sua vida ao redor disso.

Estamos num momento de fortes movimentos sociais em todo o mundo, com protestos, muita indignação, muita revolta. Alguns desses movimentos trazem no seu interior pessoas e grupos que seguem diferentes religiões. Ou que transformam a religião e a existência de Deus no motivo da ação ou num impulso para a ação. Portanto, eu tive curiosidade de analisar. Esse fenômeno é extremamente ambíguo.

Quando surgiu a curiosidade?

Eu já tinha notado desde o Fórum Social Mundial de 2001, onde vi que havia movimentos sociais e organizações de diferentes partes do mundo com vivências religiosas, como a Teologia da Libertação e outros. Tinham uma dinâmica de grupo onde o elemento religioso, espiritual, era forte. Havia movimentos indígenas, para quem o elemento da religiosidade é sempre forte. Essa dimensão do transcendente é que me fascinou, pois eu venho de uma cultura eurocêntrica, que há muito tempo tenho criticado, mas sou filho dela, por assim dizer. Essa cultura tinha resolvido o problema através do que chamamos de secularismo, que é expulsar a religião do espaço público.

A presença da religião na política está crescendo?

A religião nunca saiu verdadeiramente da política. Temos sociedades que são laicas, mas cujos estados não são. É o caso da Inglaterra, por exemplo. E temos sociedades onde a convivência é mais laica do que outras. Tanto assim que hoje a gente faz distinção entre o secularismo e a secularidade. Secularismo é uma atitude mais radical, de deixar que a religião fique exclusivamente no espaço privado, na família, na vida. Secularidade é aquela que permite que haja expressões [religiosas] no espaço público como afirmação da própria liberdade de todos os cidadãos.

Mas é evidente, a gente sabe, a maneira com que a Europa resolveu a questão da separação da igreja e do Estado no século 17, depois de uma guerra enorme, nunca foi uma separação total. A igreja continuou a ter uma grande influência. Foi assim no esforço da colonização. Continuou com grande influência, ainda tem, nas agendas que o papa Francisco disse recentemente que são as agendas da cintura para baixo (risos), acerca das orientações sexuais, aborto, divórcio. Obviamente são questões de interesse público.

O que parece é que a crise do Estado secular trouxe uma maior presença da religião no espaço público. No mundo árabe, no mundo indiano e também no mundo ocidental. Começou a emergir nas televisões religiosas, cada vez mais e sobretudo com as correntes evangélicas e pentecostais. É uma presença pública muito mais forte, mas também um interesse em influenciar a vida pública, a vida dos Congressos, dos parlamentos. É o que acontece hoje no Brasil.

No Brasil isso parece mais evidente a partir da eleição de 2010, quando o assunto chegou a dominar o debate eleitoral. Como tem sido no resto do mundo?

Na Europa não é tão forte quanto aqui ou nos Estados Unidos. Mas encontramos no próprio mundo islâmico, por outro lado, diferentes formas de afirmação religiosa que não são todas fundamentalistas. Algumas são bastante moderadas. Mas que também se recusam a pensar que sua dimensão espiritual e religiosa não têm nada a ver com suas lutas.

Então o mundo hoje é mais diverso, e dessa diversidade, no meu entender, faz parte uma maneira muito diversa de ver a religião na vida pública. Isso está surgindo por todo lado, com formações bem distintas.

Algumas continuam na base da sociedade, como acontecia com a Teologia da Libertação e as Comunidades Eclesiais de Base. Mas temos nos últimos anos, no Brasil muito claramente, a influência [religiosa] na própria cúpula do Estado, na estrutura política do Estado. Isso é novo.

Era uma corrente que já vinha dos anos 80 dos Estados Unidos. Uma corrente muito conservadora. Um dos grandes líderes dessa corrente nos Estados Unidos fez uma previsão que praticamente se confirmou. Ele disse assim: "quando um dia não houver uma grande diferença entre democratas e republicanos, e se forem todos mais ou menos conservadores, podemos começar a jogar golfe tranquilamente, pois significa que cumprimos a nossa missão".

E a esquerda com isso? Seu livro é uma espécie de ajuste?

O pensamento crítico da esquerda, de uma sociologia crítica, sempre foi muito renitente em analisar o fenômeno religioso. Pois qualquer análise que não seja simplesmente dizer que religião é o ópio do povo fica como suspeita.

Minha experiência no Fórum Social Mundial fez-me crer que, se eu mantivesse essa atitude pouco complexa, eu deixaria fora da minha análise muita gente que genuinamente luta contra a desigualdade, a injustiça, a discriminação, a opressão. Não é gente alienada. É gente que realmente luta por um mundo melhor e que, no entanto, tem uma referência religiosa. Eu não posso considerar que isso é alienante. Então escrevi esse livro também para fazer as contas comigo mesmo.

Qual é a sua conclusão?

Termino dizendo que não há um Deus. Há dois: o Deus dos oprimidos e o Deus dos opressores. Enquanto a sociedade for dividida e houver tanta desigualdade social, penso que o Deus que estiver do lado dos oprimidos não se reconhece num Deus que esteja do lado dos opressores.

O outro livro é sobre direitos humanos, que parece refluir na medida em que aumenta a influência religiosa. Alguns políticos têm como principal plataforma o ataque aos direitos humanos. Quais são as relações entre as duas coisas?

É obviamente uma estratégia religiosa. É uma dimensão de todas as correntes conservadoras, de direita, que existiram ao longo do tempo. Houve, de fato, uma igreja progressista, de esquerda, que achou que sua missão era a missão evangélica do sermão da montanha, de estar com os pobres. Os pobres não estão no parlamento, estão nos bairros, nas favelas. E é para aí que os missionários devem ir. Mas há toda uma outra corrente que nunca aceitou que igreja ficasse fora do governo. Alguns deles entendem que a Bíblia, literalmente, dita o direito para os Estados e que, portanto, os direitos humanos não pertencem a esse direito bíblico. É como no mundo islâmico, onde há conceitos muito hostis aos direitos humanos.

Então, de vários lados, estamos a assistir a um ataque aos direitos humanos. Esse é o tema do meu outro livro, escrito por um sociólogo que se considera um cidadão ativista dos direitos humanos.

Eu também faço uma crítica aos direitos humanos. Mas uma crítica progressista: os direitos humanos são pouco. Então eles são criticados por mim por serem poucos. E a direita critica por serem muito. Eu digo pouco porque acho que a grande maioria dos cidadãos do mundo não são sujeitos de direitos humanos, são objeto de discurso de direitos humanos. São violados constantemente.

Agora, sobretudo após a queda do Muro de Berlim, em que as narrativas socialistas caíram em desuso, pelo menos até agora, o que ficou de luta por uma sociedade melhor foram os direitos humanos. Se o socialismo estivesse na agenda política, eu tenho certeza que essa direita religiosa incidiria completamente contra o socialismo.
Nessa questão dos direitos humanos, em que posição o senhor situa o Brasil hoje?

É uma leitura muito complexa. Há áreas e domínios dos direitos humanos em que tivemos conquistas extraordinárias desde o governo Lula. Eu considero [positiva] toda política de ações afirmativas, do reconhecimento de que há racismo na sociedade brasileira e de que é preciso tomar medidas para que afrodescendentes e indígenas possam ter acesso à educação, numa tradição que vinha desde há muito tempo com Abadias do Nascimento, mas que nunca teve êxito. Também o fato de criar um Brasil mais inclusivo, mais diverso, mais colorido, com mais consciência de sua diversidade étnico cultural. Penso que tudo isso foi um grande avanço.

Onde eu vejo que há retrocesso é em toda a área dos direitos humanos que trouxeram também no seu bojo aquilo que, para um desenvolvimentista, pode ser considerado um obstáculo.

Os direitos humanos trouxeram consigo o reconhecimento dos direitos coletivos. E os direitos coletivos do povos indígenas estão protegidos, internacionalmente, por convenções, aliás, que o Brasil assinou, sobretudo o convênio 169 [da Organização Internacional do Trabalho], que obriga consulta prévia, livre, informada e de boa fé. E de boa fé! E que, hoje em dia, depois da declaração das Nações Unidas de 2007 sobre os direitos dos povos indígenas, firma-se na jurisprudência da Corte Internacional de Direitos Humanos que sempre que estejam em causa a própria sobrevivência de um povo, seja uma barragem, seja um projeto de mineração, a consulta deve ser vinculante. Bem, nesse caso, eu tenho que dizer que tem havido retrocesso.

Não é só na demarcação de terras. Tem ainda a questão de saber se a concessão de novas terras são atribuição do parlamento e não do Executivo, o que seria a mesma coisa que dizer que nunca mais haverá qualquer concessão.

Então eu acho que a presidente Dilma está a perder uma batalha, está realmente com uma grande insensibilidade ao movimento indígena camponês, que foi uma grande forma de transformação em toda América Latina.

O senhor considera o governo Dilma de direita?

Eu venho da Bolívia, estive no Equador, conheço os outros países [da região]. Alguns deles são muito mais à direita no governo, é o caso do México. E lá estamos assistindo a uma grande vitória de um povo indígena que lutou contra uma barragem, La Parota, e conseguiu efetivamente parar essa barragem.

Eu colocaria a presidente Dilma no mesmo pé em que coloco o presidente da Bolívia [Evo Morales] e o governo do Equador. São governos que eu considero progressistas. Não os considero de direita. Eles, de alguma maneira, fazem muito do que sempre fez a direita: têm o mesmo modelo de acumulação, o mesmo modelo capitalista, o mesmo neoliberalismo, aproveitaram a mesma onda de extrativismo, com a reprimarização da economia.

Mas o que esses governos fazem e que a direita nunca fez na América Latina foi redistribuir esses rendimentos de alguma maneira. Distribuem muito mais que os outros governos. Para muitos grupos sociais, isso não é suficiente. Até porque essa forma de redistribuição é relativamente precária, não é com direitos universais, é algo que pode parar de um momento para outro. Mas há problemas. Os ambientais são extraordinários.
Qual o senhor citaria?

É certo que o Congresso é outra coisa. Mas eu fico espantado como é que é possível, estando a frente do país alguém como Dilma Rousseff, como é possível abrir uma discussão sobre a semente Terminator no Congresso. É a semente que fica estéril, a suicida. Isso está suspenso. É ilegal para o mundo inteiro. É um escândalo, se aprovar. Ela foi suspensa no âmbito da convenção de biodiversidade exatamente porque coloca os camponeses nas mãos da Monsanto e das outras três ou quatro empresas que têm a patente. Isso é o fim da agricultura camponesa.

Em muitos países é a agricultura camponesa que alimenta as populações, pois a grande indústria produz soja e outros produtos de exportação. A diversidade da produção agrícola é feita por pequenas propriedades, a agricultura familiar, a camponesa. Portanto isso significa arrogância dessas empresas transnacionais que têm acesso ao parlamento para ditar sua lei. E se você olhar bem, há uma aliança entre os religiosos evangélicos e os ruralistas. Então aqui há uma convergência de forças, uns que vêm da tradição ruralista, outros que vêm de uma tradição religiosa de direita, que se armou contra o comunismo e contra a revolução na América Latina.

Então não considero a presidente Dilma um governo de direita por sua capacidade de distribuição, agora há uma grande insensibilidade, que não vem de agora.

Onde mais há problemas?

Basta ver quantas vezes foram recebidas a CUT e outras entidades antes desses protestos: zero. Portanto significa que a presidente Dilma tem uma grande insensibilidade social, que se tornou ainda mais evidente por conta da posição do Lula, ao estilo Lula, que era de muito mais aproximação com os movimentos sociais. Isso perdeu-se. Eu considero uma perda muito grave.

A ex-ministra Marina Silva tem um discurso mais próximo desses segmentos que o senhor mencionou, meio ambiente, indígenas. Ela serve para a esquerda?

Eu penso que não. Sou amigo da Marina Silva, estive em vários painéis com ela e comungo com ela muitas causas ambientalistas. Mas acho que não porque a influência religiosa no país iria nitidamente continuar a desequilibrar. A dimensão religiosa que está por trás dela é uma dimensão que, no meu entender, tem mais um potencial conservador do que um potencial da Teologia da Libertação. Portanto é um potencializador de uma interferência conservadora na sociedade.

Isso pode ter outras dimensões para os direitos das mulheres, dos homossexuais, para as diversidades sexuais.

Por outro lado, sua política econômica, por aquilo que tenho visto e pelos apoios que ela recorre, é realmente uma tentativa de, com uma cara nova, uma mulher, repor o sistema que estava antes. Seria desacelerar ainda mais as políticas de redistribuição social que foram aquelas que, no meu entender, mais caracterizaram o período Lula.

Não penso que a Marina Silva esteja muito sensível a isso tudo. Então eu penso que ela é uma cara nova para a direita. Não é uma cara para a esquerda, no meu entender.

Milhares de pessoas foram às ruas no Brasil para protestar por diversas causas. Tudo muito rápido e inédito. O senhor tem alguma reflexão sobre o que ocorreu no país?

Analiso os diversos movimentos que surgiram no mundo desde 2011: a primavera árabe, o ocuppy [Wall Street, nos EUA], o dos indignados no sul da Europa e na Grécia, o movimento "Yo soy 132", que é contra a fraude eleitoral no México, o movimento estudantil do Chile em 2012 e também os protestos no Brasil.

Considero que 2011-2013 é um daqueles momentos no mundo como nós tivemos em 1968, 1917, 1848. São momentos de movimentos revolucionários.

O que os caracterizam fundamentalmente hoje? São sinais de que, em muitos países, estamos a entrar num processo de guerra civil de baixa intensidade: uma grande agitação social porque as instituições não funcionam propriamente. Na Europa, a rua é o único espaço público que não está colonizado pelo capital financeiro. Nos EUA, a mesma coisa. Há uma deterioração das instituições, uma ideia de que a democracia foi derrotada pelo capitalismo. No sul da Europa isso parece muito claro, e as ruas e as praças são os únicos espaços onde o cidadão pode se manifestar.

Quem é esse cidadão?

É um cidadão diferente dos [cidadãos dos] processos anteriores. Um erro do pensamento político foi pensar em cidadãos organizados que fazem essas revoltas. De fato, não é assim. Essas revoltas são feitas, normalmente, por jovens que nunca participaram de movimento social, de partidos, que nunca votaram, nunca estiveram em nenhuma ONG. E de repente estão na rua. Isso não foi só aqui. Foi no Egito, na Europa, nos EUA. São movimentos que surgem a partir de momentos em que as instituições parecem não dar respostas às aspirações populares. Obviamente são diferentes. Não se pode pôr a primavera árabe ao lado do Brasil ou do occupy. São coisas distintas.

O movimento do Brasil tem uma genealogia, uma história, semelhante ao movimento dos indignados de Portugal, da Espanha e da Grécia. São jovens democracias onde houve uma expectativa de uma social-democracia, uma democracia com fortes direitos sociais, de educação, saúde, transporte. Havia uma expectativa de uma sociedade mais inclusiva. Essa era a promessa. A democracia não é simplesmente mero voto e a representação política, mas se traduz em direitos sociais e econômicos. Portanto nesses casos [Brasil e indignados], os movimentos surgem da ruína dessas aspirações. Democracias suficientemente jovens para ainda acreditar que eles têm esses direitos.

Os occupy já nem têm sequer essa ilusão, pois a democracia americana é cada vez mais restringida e eu nem acho mais que é uma democracia a sério nos EUA; eu vivo lá metade do ano, como você sabe, e conheço o país.

Uma crise da democracia?

Aqui [no Brasil], a juventude se dá conta que aquela democracia que ela acreditou não funciona, está sendo derrotada pelo capitalismo. Os países dão mais atenção aos mercados internacionais, aos grandes grupos transnacionais, do que dão aos seus cidadãos. Na Europa isso é muito claro. O meu governo [Portugal] está mais atento à agência de classificação Standard & Poor's, sobre o que ela dirá amanhã sobre a taxa de rating do crédito português, do que as demandas dos portugueses, as reivindicações. E quanto mais as pessoas vão para as ruas, mais abaixa a nota do crédito internacional. Ou seja: a democracia está sendo usada contra os cidadãos. A democracia é exercida hoje contra o bem estar. Tinha-se a ideia que caminhávamos para um estado de bem estar. De alguma maneira, hoje, o Estado é um Estado de mal estar. O que aconteceu no Brasil, no meu entender, é essa frustração.

Compartilha com os outros movimentos essa espontaneidade. E o fato de não ser ideologicamente unitária, é o mais diverso possível. E com demandas contraditórias. E com uma característica também comum em todos eles: prevalece o negativo sobre o positivo. Esses grupos, que eu nem chamo de movimentos sociais, chamo de presenças coletivas, sabem o que não querer, mas não sabem bem o que querem. Podem ter uma demanda, como foi o caso do Movimento Passe Livre, mas essa é uma demanda que rapidamente pode ser superada por grandes demandas de superação do Estado. Como aconteceu na Tunísia. O moço que se imolou na Tunísia queria apenas que legalizassem o seu comércio de rua, e de repente aquilo era uma luta contra a ditadura.

O que todos estão a dizer? Estão a dizer que o mundo está escandalosamente desigual. Essa não é uma questão da pobreza. É que nos países, internamente, a diferença entre ricos e pobres nunca foi tão grande. Em meio aos maiores sacrifícios da sociedade portuguesa, com cerca de 50% dos jovens até 25 anos sem emprego, o número de ricos aumentou em Portugal nos últimos anos. E os ricos ficaram ainda mais ricos.

Essa descrição não coincide exatamente com o que ocorreu no Brasil. A distribuição de renda brasileira medida pelo índice Gini ainda é uma das piores do mundo, mas melhorou.

Sim, está reduzindo [a desigualdade de renda], nunca tinha acontecido antes, isso é preciso reconhecer. O que nós temos que ver, isso é minha leitura, é que as políticas que foram criadas para essa redução ocorrer - e por isso que eu digo que [Dilma] não é um governo de direita - são as que eu chamo de políticas de primeira geração. A segunda geração é que essa gente que agora come bem, agora que tem algum apoio, quer evoluir, quer ir para a universidade, quer outra qualidade dos serviços públicos. E aí estancou.

O senhor disse que esses grupos sabem dizer o que não querem, mas não sabem dizer bem o que querem. No Brasil, entre as coisas que eles diziam não querer estavam os partidos políticos. Teve até hostilidade, violência. O senhor vê isso com preocupação?

Sim, evidentemente. Mas ao mesmo tempo compreendo o que está ocorrendo. É aquilo que eu disse, que a democracia representativa liberal foi dominada e vencida pelo capitalismo, pela corrupção, pela presença do dinheiro nas eleições, nas campanhas eleitorais. Isso faz com que os representantes estejam cada vez mais distantes dos representados. É aquilo que a gente chama de patologia da representação: os representados não se sentem representados por seus representantes.

É um processo conhecido, pois há anos discute-se no Brasil a necessidade de se fazer uma reforma política, uma reforma do sistema eleitoral, do financiamento dos partidos. E todas essas reformas têm sido bloqueadas. Então essa negação não é propriamente a negação da democracia representativa. São duas ligações importantes: esta democracia participativa não serve, o dinheiro não pode ter o poder que tem hoje nas eleições; e a democracia representativa nas sociedades complexas não chega, ela precisa ser complementada pela democracia participativa.

Eu acho extraordinário que, no caso da primavera árabe - jovens de vários países que não tiveram democracia propriamente - a grande bandeira é a democracia real. Portanto quando dizem que há luta contra os partidos, não é que eles estejam dizendo que, em princípio, eles não têm nenhuma validade. É esta forma de democracia, a do poder do dinheiro, que está derrotada. E se ela não se alterar, temos altos riscos para a sociedade. É por isso que eu digo, escrevi dois artigos sobre isso, que há uma grande oportunidade: a oportunidade de uma reforma política. Esse é grande tema com o qual o PT chegou ao poder, não podemos esquecer.

Mas nos protestos ninguém levantou uma plaquinha sequer pedindo reforma política.

(risos) É por isso que eu digo: as pessoas não sabem o que querem, sabem o que não querem. Como é que se faz formulação política? Para sair daquilo que elas não querem, é preciso uma reforma política. Obviamente. E é por isso que temos partidos.

Eu acho que cabe à classe política encontrar as soluções. Os jovens não têm que saber [como fazer]. Nem dá para exigir que eles saibam. Como é que vai fazer um serviço unificado de saúde suficientemente robusto? Não têm que saber. Há técnicos e há políticos que vão fazer isso. A reforma política é a mesma coisa. E a presidente Dilma deu uma certa esperança quando falou nas cinco medidas que seriam tomadas e incluiu a reforma política, mas, infelizmente, os poderes conservadores do Congresso...

Foi nesse contexto que surgiram os grupos "black blocs", com a tática de causar danos materiais para fazer suas denúncias. Eles aparecem em tudo, da greve de professores à ação para libertar cachorros de um laboratório de pesquisa médica. Qual é a opinião do senhor sobre esses grupos?

Esses grupos nasceram nos anos 70 na Alemanha, na luta contra a energia nuclear. Na década de 80, adquiriram uma ideologia autonomista. A ideia de que "temos que criar na sociedade espaços de autonomia que não dependem do capitalismo e que, portanto, podem oferecer outra maneira de viver". Tiveram muita repercussão.

No momento em que começam os protestos contra a globalização, Seatle (EUA) é o marco, eles começaram a assumir duas características de sua tática: de um lado a ideia de violência contra propriedades símbolos do capitalismo, que pode ser um McDonald's, um banco; de outro lado, a defesa dos manifestantes. Eles assumiram isso. Em muitas mobilizações, foram eles que, diante da violência policial, defenderam mais eficazmente os manifestantes pacíficos. Então a violência policial, no meu entender, é uma das grandes responsáveis pelo protagonismo "black bloc". Eles enfrentavam. E a notícia muitas vezes passava a ser o enfrentamento entre os "black blocs" e da polícia.

Um terceiro fator que complica, principalmente a partir do ano 2000, isso está documentado, é que a polícia infiltra o "black bloc" para depois justificar sua violência. Isso está demonstrado em vários países. E este é o contexto em que nós estamos.

Mas como entender o "black bloc"?

Não são grupos de extrema-direita. Eu penso que, acima de tudo, temos que entender por que surgem esses movimentos. E encontrarmos, através do diálogo, formas de ver se estas são as melhores formas de luta. No meu entendimento, como já disse, estamos num momento político daquilo que chamo de guerra civil de baixa intensidade. Numa guerra assim, queremos que cada vez mais gente venha para a rua. No meu entender, para fazer pressão pacífica sobre os Estados.

Quando o capital financeiro será cada vez mais influentes, quando as Monsantos conseguem pôr no Congresso a [semente] Terminator, quando os evangélicos dominam a agenda política, quando os ruralistas dominam a agenda política, os governos, mesmo que tenham uma orientação de esquerda, precisam ser pressionados de baixo. A partir de baixo. E essa pressão tem de ser pacífica. E tem de ser inclusiva. E para ser inclusiva tem de trazer para a rua as pessoas que nunca foram para a rua, os chamados despolitizados, as avós, os netos.

Ora bem, se é esse o objetivo, o "black bloc" é uma força contraproducente. As pessoas querem ir para a manifestação, mas com medo que haja violência, com medo da brutalidade e violência policial, dizem ao final "não vamos". Penso, portanto, que o "black bloc" deve analisar em que contexto nós estamos.

O ex-presidente Lula fez uma crítica direta ao uso das máscaras. Disse que participou de muita manifestação de rua, mas que nunca usou máscara porque não tinha vergonha do que fazia.

Eu acho que é uma posição legítima, mas não sei se é a única resposta que se pode dar. As pessoas têm suas formas de representação. Exemplo disso é o governo do Peña Nieto, o [partido] PRI, no México, que eu considero de direita. Nas últimas manifestações, o protesto de professores no México, teve a presença dos "black blocs" com as máscaras negras. E chegou ao ponto também em que o governo está para promulgar uma lei que proíbe as máscaras. Sabe qual foi a reação? Os homossexuais começaram a usar máscaras pink. Foram para os protestos com máscaras cor-de-rosa, máscara homossexual. Então a polícia vai prender? Eles não praticam nenhuma violência, usam máscara agora para afirmar a diversidade sexual.

Isso é para ver como a coisa é complicada. Criou-se uma solidariedade entre os homossexuais e o "black bloc". Então, por vezes, as autoridades se excedem na forma. Eu penso que essa não é a forma. Penso que a forma é de dialogar, de trazer para uma mesa de conversa. Obviamente é uma discussão muito difícil, mas é uma discussão que é preciso ter.

Boaventura de Souza Santos, sociólogo português, doutor pela Universidade de Yale (EUA), professor da Universidade de Coimbra (Portugal) e da Universidade de Wisconsin (EUA). Livro recente "Se Deus fosse um ativista dos direitos humanos" (Cortez Editora)

domingo, 31 de agosto de 2014

CNBB publica cartilha com orientações ao eleitor


No último dia 25, a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) publicou e divulgou sua já tradicional cartilha com orientações para o voto consciente, dirigida ao pleito de 2014, mas que também serve para qualquer processo eleitoral. 
Ela foi produzida pelo episcopado fluminense e a regional da Pastoral Fé e Política que abrange nossa região- portanto, toca diretamente em pontos concernentes à nossa realidade cabofriense e regional.

Os Bispos do Estado do Rio de Janeiro e a Pastoral Fé e Política do Regional Leste 1, prepararam esta cartilha cívica contendo recomendações para os eleitores das próximas eleições do presente ano. Configura numa lista de 10 critérios, são eles:

1. Votar é um exercício importante de cidadania, por isso, não deixe de participar das eleições. Seu voto contribui para definir a vida política de nossos pais.
2. Verifique se os candidatos estão comprometidos com a superação da pobreza, com a educação, saúde, moradia, saneamento básico, respeito à criação e ao meio ambiente.
3. Veja se seus candidatos estão comprometidos com a justiça, segurança, combate a violência, dignidade da pessoa, respeito pleno pela vida humana desde a sua concepção até a morte natural.
4. Observe se os candidatos representam o interesse apenas de seu grupo ou partido e se pretendem promover políticas que beneficiam a todos. O bom governante governa para todos.
5. Dê o seu voto apenas a candidatos com "ficha limpa". O homem público deve ter honestidade (idoneidade moral).
6. Fique atento à prática de corrupção eleitoral, ao abuso de poder econômico, à compra de votos. Voto não é mercadoria.
7. Procure conhecer os candidatos, sua conduta, suas idéias e seus partidos. Voto não é troca de favores.
8. Vote em candidatos que respeitem a liberdade religiosa e de consciência, garantindo o ensino religioso confessional e plural.
9. Escolha candidatos que promovam e defendam a família, segundo sua identidade natural conforme o plano de Deus.
10. Acompanhe os políticos depois das eleições, para cobrar deles o cumprimento das promessas de campanha e apoiar suas opções políticas e administrativas.
Para terminar reflitam esta frase do Papa Francisco: "É muito, difícil que um corrupto consiga voltar atrás". Vote certo, vote bem, somos responsáveis pelo futuro de nossa pátria. Não esqueça que seu voto terá conseqüências, um novo mundo e uma nova sociedade ou a mesmice da corrupção e do terror e insegurança diários. Deus seja louvado!


sexta-feira, 8 de agosto de 2014

quinta-feira, 31 de julho de 2014

EM SABATINA DA CNI, DILMA DISCUTE PROJETOS, ENQUANTO AÉCIO E CAMPOS DISCURSAM


Candidato do PSB perde pontos com promessas difíceis de cumprir. Tucano adota tom que mais agrada ao mercado financeiro que ao empresariado. Petista defende políticas atuais e promete melhorias

por Helena Sthephanowitz 
MIGUEL ÂNGELO/CNI
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Dilma cumprimenta representantes da indústria após sabatina. Contraposição a Aécio marca encontro
Os assessores de Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) devem estar atordoados com a participação da presidenta Dilma Rousseff (PT) na sabatina da Confederação Nacional da Indústria (CNI), tamanha foi a aula de competência dela na área econômica, em contraste com o vazio de propostas e a platitude dos dois adversários.
Cada um participou em horário diferente, no formado de três entrevistas diferentes, uma com cada candidato. Todos assumiram compromissos com várias pautas apresentadas pela entidade, em geral as consensuais, já que cada candidato recebeu vários cadernos temáticos com propostas e demandas do setor.
Eduardo Campos foi o primeiro a ser sabatinado. Criticou o governo federal, apresentou propostas genéricas sobre a indústria brasileira e requentou promessas. Ao responder pergunta sobre que importância o setor da indústria vai ter no governo, Campos iniciou um discurso de que a “solução” para a melhora do setor está na política. Segundo ele “é preciso acabar com o presidencialismo de coalizão para também estimular o setor” e “a produtividade pública do Brasil é baixíssima”.
Mas, na hora de dizer o que vai fazer, foi semelhante àqueles vendedores que prometem terreno na lua. Por exemplo, fazer reformas na primeira semana de governo. Na reforma tributária, falta combinar com o Congresso Nacional, os governadores e com os grupos de pressão setoriais que atuam sobre o Legislativo. Em suma, o pernambucano perdeu pontos em uma plateia de empresários pragmáticos, bem informados e insensíveis a populismo empresarial.
Em seguida, Aécio Neves, apesar de ter boa parte da torcida ao seu lado e que o aplaudiu, decepcionou por ser evasivo. Também reclamou, criticou, mas, na hora de propor projetos, limitou-se a acenar com as medidas amargas que mais agradam ao setor financeiro do que o industrial.
Repetiu os chavões neoliberais de choque de gestão, corte de custos, privatizações, que filosoficamente agradam os empresários, mas pragmaticamente todos ali sabem que as práticas e acordos políticos que Aécio fez em Minas para ter a governabilidade são até bem mais concessivas à velha política do que as adotadas pelo atual governo federal.
Além disso, o setor produtivo não abre mão de políticas industriais promovidas por governos desenvolvimentistas, até porque todos os países ricos fazem isso, de uma forma ou de outra, para defender e crescer seu parque industrial. Por fim, Aécio retomou o tomo do retrocesso e defendeu uma das principais bandeiras do governo de Fernando Henrique Cardoso, as agências reguladoras. “O resgate das agências reguladoras parece urgente e possível de ser enfrentado nos primeiros dias de governo.”
Dilma Rousseff foi a última a falar, adotando comprometimento com seu projeto nacional, sem escapismos. Falou sobre o que foi feito em desonerações, desburocratização, redução dos custos de logística e de produção, de qualificação profissional. E falou também mirando o futuro.
Abordou política industrial e geopolítica comercial multipolar para aproveitar oportunidades no comércio com a América Latina, com o G-20 e com os Brics; falou da reforma política necessária para tornar o Estado mais eficiente e transparente, das compras governamentais com conteúdo nacional para fortalecer a indústria, dos investimentos em inovação, educação e pesquisa para aumentar a produtividade, da política energética que até os Estados Unidos fazem com o gás de xisto em vez de seguir o livre mercado. Deu uma aula sobre como o governo estadunidense faz política industrial com as agências de inteligência, recentemente envolvidas na espionagem ilegal, para desenvolvimento de sua indústria de tecnologia da informação e de comunicações, da mesma forma que o Pentágono faz com complexo industrial-militar.
Se depender só do desempenho na sabatina, muitos empresários podem ter escolhido ali sua candidata.
Fonte:http://www.redebrasilatual.com.br/

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Avanços sociais fazem Brasil superar IDH médio da América Latina

Avanços sociais fazem Brasil superar IDH médio da América Latina

     Segundo estudo feito pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o Brasil melhorou seu índice de desenvolvimento humano (IDH) e alcançou a casa dos 0,744 ponto, em uma escala que vai de zero até um, onde quanto mais alta a nota, melhor colocado estará o país. Com este resultado, o Brasil se encontra entre os países com desenvolvimento humano alto, superando o IDH médio da América Latina, e ficando atrás apenas da Rússia dentre os países que compõe os BRICS. Os principais avanços brasileiros observados na pesquisa dizem respeito ao aumento da renda e da expectativa de vida da população, que agora alcança 73,9 anos. Segundo Andréa Bolzon, coordenadora do Atlas de Desenvolvimento Humano do Brasil, o país avançou em todas as áreas medidas no IDH (saúde, educação e renda), mas as melhorias na área de educação só serão captadas em pesquisas posteriores, quando as bases de dados estiverem atualizadas.

Comentários:O avanço do Brasil no Índice de Desenvolvimento Humano é apenas mais uma prova do efeito positivo das políticas sociais e econômicas dos últimos anos, que ampliaram o emprego e a renda, além de promover avanços significativos nas áreas de educação e saúde, com ampliação dos investimentos nestes setores.

Ainda há, entretanto, muitos desafios para o avanço social no país, particularmente no que diz respeito à redução da disparidade de renda (que ainda é ponto mais fraco do país e que prejudica sua avaliação, apesar da melhoria no índice de Gini nos últimos dez anos) e na melhoria dos serviços públicos.

Deste ponto de vista, qualquer proposta contracionista, que implique em redução da renda, do emprego, piora na distribuição da renda e da riqueza e redução dos investimentos públicos, vai na contramão do avanço social exemplar experimentado pelo Brasil na última década.

Apenas uma política econômica comprometida com o avanço social e a manutenção do emprego e da renda dará conta de manter o país no rumo do desenvolvimento econômico socialmente equilibrado, com ampliação de direitos e de oportunidades.


Fonte: Fundação Perseu Abramo

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Datafolha é piada pronta: diz que 57% de eleitores do PCO votariam em Aécio no 2o. turno

Datafolha é piada pronta: diz que 57% de eleitores do PCO votariam em Aécio no 2o. turno.


Não dá para levar a sério a pesquisa do Datafolha, porque a sondagem de segundo turno desaparece com 12 pontos de nulos/brancos/nenhum/indecisos que engordam os votos no tucano.

Mas o relatório da pesquisa serve como peça de humor. Caí na gargalhada ao ler.

Eis algumas pérolas.

Aécio Neves (PSDB) tornou-se um fenômeno de votos no 2o. turno entre marxistas, trotskistas, socialistas e toda a extrema esquerda, na visão do Datafolha.

Inacreditáveis 57% dos eleitores do PCO (Partido da Causa Operária) votariam no demotucano no segundo turno (lembrando sempre que é segundo a pesquisa do Instituto).

Os eleitores do PSTU ficariam perto disso, com o índice de 50% votando no neoliberalismo tucano no segundo turno.

O eleitores do PSOL vão além, e nada menos do 64% teriam como segunda opção Aécio em vez de Dilma.

Isso é o que diz o Datafolha. Na vida real vocês acham que há alguma chance de algo parecido com isto acontecer?

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Má postura no trabalho pode causar doenças crônicas

 


De acordo com a fisioterapeuta Silvia Canevari Barros, membro da Sociedade Brasileira de RPG e diretora do ITC Vertebral de Jundiaí, o estresse piora ainda mais os problemas na coluna. "A musculatura sofre uma tensão muito grande por causa do estresse, o que reduz a circulação sanguínea dos tecidos e comprime articulações, discos e ligamentos", explica.

O esgotamento físico e emocional causado por esses fatores, além de diminuir o rendimento do trabalhador, pode acarretar em problemas como dor de cabeça, lombalgia, cervicalgia, hipercifose (curvatura da coluna dorsal) e tendinite. "Na pior das hipóteses, doenças crônicas também podem aparecer, como escoliose e hérnia de disco", alerta a especialista.

As longas horas de trabalho sentado aliadas a vícios posturais podem, ainda, ser responsáveis pelo surgimento de DORT (doença osteomuscular relacionada ao trabalho), LER (lesões por esforços repetitivos), cujos sintomas incluem distúrbios do sono, além de doenças degenerativas na coluna vertebral.

Para se prevenir, é preciso praticar exercícios físicos de correção postural, como alongamento ou Pilates, além de respeitar os próprios limites. Para Silvia, fazer pausas periódicas é essencial para quem trabalha sentado. "É preciso se levantar de hora em hora, por uns cinco minutinhos, isso ativa a circulação e melhora a nutrição celular ", aconselha.

Quem trabalha no computador deve adotar posturas adequadas ao se sentar. A fisioterapeuta explica que os pés devem se manter fixos numa prancha de apoio, os joelhos num ângulo de 90º e a lombar deve tocar o encosto da cadeira. "Os braços e punhos também devem ficar retos e os cotovelos apoiados sem elevar os ombros", indica.

Mas cuidar da postura não é incumbência apenas de trabalhadores. Segundo a especialista, cada um deve ficar atendo à própria postura durante as tarefas do cotidiano, mas "governo e empresas tem o seu papel e responsabilidade na prevenção das patologias da coluna".

O  Ministério do Trabalho e Emprego alterou em 2007 a Norma Regulamentadora 17, que agora exige das empresas um laudo ergonômico que comprove que ela está em conformidade com "parâmetros que permitam a adequação das condições de trabalho, às características físicas e mentais dos funcionários, visando seu conforto, segurança, saúde e melhoria do seu desempenho".

Os móveis do escritório, portanto, devem ser bem escolhidos. A cadeira deve ter rodinhas, regulagem de altura, regulagem do encosto e do apoio dos braços. O monitor deve estar posicionado na linha dos olhos, "para quem usa óculos bifocal, o monitor deve ficar um pouco abaixo da linha dos olhos para a cabeça não rodar para cima, já que a parte de baixo das lentes contém o grau ideal para leitura", explica Dra. Silvia Canevari Barros fisioterapeuta.

Dra. Silvia Canevari Barros é Fisioterapeuta Responsável pela Unidade ITC Vertebral Jundiaí, pós graduada em Terapia Manual e Postural pelo Instituto Salgado Saúde Integral e especialista em RPG pelo Método Souchard. Além disso, é membro da Sociedade Brasileira de PRG e Instrutora de Pilates pela Escola Pilates Nova Postura. Mais informações em www.corpoecoluna.com.b
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Fonte: http://www.protecao.com.br/

sexta-feira, 20 de junho de 2014

REDE GLOBO ESCANCARA SUA FACE NAS PROXIMAS ELEIÇOES !!!

Impressionante o jornalismo baixo do Jornal Nacional.


Na edição ontem (19/06/2014), numa ação bem arquitetada o programa mostrou a pesquisa ibope de avaliação do governo e é claro enalteceu a queda de avaliação do governo. 

No entanto, essa mesma pesquisa ibope fez enquete eleitoral e pasmem, o "brilhante" William Bonner sequer tocou no assunto. Sabem porquê?


Por que a pesquisa mostra o crescimento da intenção de votos da Presidenta Dilma e possibilidade de vitória no primeiro turno.

Rede Globo = LIXO DE JORNALISMO !!!

sexta-feira, 6 de junho de 2014

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Choque de gestão de Aécio expulsaria 19 milhões de pobres do Bolsa Família

Aécio Neves (PSDB) apavora de novo. Agora já planeja jogar 19 milhões de brasileiros, que saíram da linha de pobreza nos governos Lula e Dilma, ao retrocesso da vida que tinham de pobreza no governo FHC. 


É o fantasma do passado atacando.

À primeira vista achei que a proposta do senador Aécio Neves (PSDB-MG) de mexer no Bolsa Família às vésperas da eleição era, além de mero oportunismo eleitoreiro, só coisa de "filhinho de papai" mimado, que mora na avenida mais cara do Rio de Janeiro de frente para o mar, e que não tem a menor noção das necessidades das pessoas mais pobres.

Coisa de quem não sabe como é a vida de lavradores de baixa renda, que vivem em lugares longe, de populações ribeirinhas, de vila de pescadores distantes, de pessoas que não tiveram oportunidade nem de se alfabetizar ainda. De mães que trabalham o dia inteiro e ainda tem que cuidar dos filhos.

Mas é muito pior do que isso.

O projeto do tucano quer exigir de maiores de idade que façam obrigatoriamente cursos de qualificação profissional. Se não fizerem, perderão o pagamento do Bolsa Família. Isso no projeto do Aécio, que não vai ser aprovado, porque seria um enorme retrocesso.

Na teoria poderia ser até uma tese aceitável, afinal como ser contra alguém que vive em situação de pobreza se qualificar melhor? Aliás, o Ministério do Desenvolvimento Social já faz isso. Oferece o Pronatec Brasil Sem Miséria, onde 1,2 milhão de beneficiários do Bolsa Família já se matricularam em cursos profissionalizantes e técnicos. Mas, diferente do projeto do Aécio, ninguém é expulso do Bolsa Família se não conseguir vaga imediatamente ou se viver em um lugar onde ainda não há cursos.

Só que na prática a proposta de Aécio é um desastre. Por mais que Lula e Dilma tenham investido em escolas técnicas, cursos profissionalizantes e assistência técnica rural, ainda não há como atender todo mundo do dia para noite, seja por haver famílias que vivem mais isoladas das cidades onde há os cursos, em um país continental como o nosso. Seja por trabalharem e o horário dos cursos não encaixar. Seja porque outros governos como o de FHC/PSDB/Aécio não fizeram sua parte no passado, deixando gente demais para trás, sem qualificação. Agora Lula e Dilma estão tirando o atraso e de forma acelerada. Até agora, só no Pronatec já são quase 7 milhões de matrículas.

Além do mais, cursos profissionalizantes precisam ser focados, de acordo com as potencialidades de trabalho em cada região. Não funciona levar um curso de soldagem industrial para o sertão rural sem indústrias, e não funciona cursos relacionados à agricultura familiar para quem vive em metrópoles sem área para cultivo. Os próprios cursos precisam ser elaborados, precisam de professores que sabem o que ensinam, para dar resultado, para o cidadão sair do curso e ter condição de arranjar um emprego ou empreender um pequeno negócio de sucesso, mesmo que seja em casa.

Pelo projeto do Aécio, um auxiliar de pedreiro que precisa do Bolsa Família, em vez de especializar-se em sua área, teria que fazer curso de manicure, se só tivesse vagas neste curso. E como obrigar uma mãe que precisa trabalhar o dia inteiro, e ainda tem que cuidar dos filhos, a frequentar um curso profissionalizante, se ela não tem horário livre? Só tucano mesmo, para propor uma coisa destas.

A proposta de Aécio é um desastre porque é óbvio que quanto menos desenvolvida a região, quanto menor o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), menos tem disponibilidade de cursos técnicos e de instrutores, ainda. Como expulsar estes adultos do Bolsa Família antes dos cursos técnicos chegarem até eles? É desumano. É condená-los de volta à fome. A conta não fecha.

Aliás a conta fecha sim, de forma maquiavélica. É a conta do "choque de gestão", das medidas amargas, do arrocho, do FMI, do Armínio Fraga. A conta é expulsar 19 milhões de pessoas do Bolsa Família, cortando verbas sociais.

Segundo a ministra do Desenvolvimento Social, que tem os números à mão, cerca de 20 milhões de adultos são beneficiários do Bolsa Família. Como tucano nunca gostou de investir em escola técnica pública para pobre (*) se pelo menos mantivesse as vagas do Pronatec Brasil Sem Miséria (em vez de cortar), 19 milhões iriam ter o Bolsa Família cortado porque não conseguiriam fazer o ensino técnico.

Entenderam o plano maquiavélico da tucanada?

Há outros absurdos na proposta de Aécio, como não entender que no Pronatec tem vagas para quem tem o ensino médio, outras vagas são para diferentes níveis de escolaridade, e há pessoas no Bolsa Família que já são idosas, outras que precisam terminar o EJA (Educação de Jovens e Adultos). Há uma diversidade de casos que não tem como cumprir as exigências que o tucano quer impor numa canetada.

O objetivo do Pronatec não é apenas para os beneficiários do Bolsa Família, é também para nós brasileiros não perdermos as oportunidades de empregos que se abrem. Senão a Petrobrás e seus fornecedores iriam acabar tendo que contratar estrangeiros para conseguir explorar o pré-sal, por exemplo, por falta de mão de obra brasileira.

(*) No governo do FHC/PSDB/Aécio eles fizeram uma lei para proibir o governo federal de fazer escola técnica. É mole?
Fonte: Blog da Helena — Rede Brasil Atual

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Eleições 2014 - Vale tudo na hora "H" !

Em época de costura para aliança eleitoral, vale tudo para para conseguir uns minutinhos a mais no tempo para propaganda eleitoral no rádio e na TV.

A última foi o vereador carioca César Maia (DEM), até então pré-candidato a governador, anunciando um possível apoio ao governador Pezão (PMDB). Diga-se e passagem que César Maria é vereador ferrenho de oposição ao prefeito carioca Eduardo Paes (PMDB).

Nessa eleição para governador o que estará em jogo é a manutenção da forma conservadora de governar ou uma mudança para esquerda nesta forma. São dois projetos claros: o conservador, com as candidaturas de Pezão (PMDB), Garotinho (PR) e Crivela (PRB) e o de esquerda popular-democrática com a candidatura do Senador Lindberg Farias (PT).

Vamos ver quem estará com quem até as convenções oficiais e depois da Copa do Mundo quando a eleição realmente esquentar.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Palestra no PT/Cabo Frio, tema: O PT E QUESTÃO RACIAL. Dia 24 de maio de 2014

A Secretária de Formação Política do Diretório Municipal do PT de Cabo Frio, convida seus Filiados, Dirigentes e Simpatizantes para uma palestra cujo tema é:


O PT e Questão Racial. 

Segue Convite


terça-feira, 13 de maio de 2014

IV SEMINÁRIO - LEI DE AUTOVISTORIA E A ELABORAÇÃO DO LAUDO TÉCNICO DE VISTORIA PREDIAL


PV se une com PT e PC do B em aliança de esquerda no Rio de Janeiro.


O senador Lindbergh Farias, anunciou nesta segunda-feira dia 12/05/2014, a aliança com o Partido Verde para as eleições estaduais. Foi anunciado também que o ambientalista Roberto Rocco (PV) será o pré-candidato a vice-governador. Lindberg Farias, tenta a ampliação dessa aliança em torno de sua candidatura e ganhar tempo de rádio e televisão na propaganda eleitoral gratuita. 

Presidenta do diretório estadual do PV, Carla Piranda  não compareceu ao evento por contas de problemas de saúde. Na sexta-feira, ela comandou a reunião do partido que decidiu pela aliança com o PT e o PC do B. Ela foi representada pelo vice, Carlos Sion. 

O próximo alvo da cúpula de PT e PV, além do PC do B, é a atrair o PDT. Os netos do ex-governador Leonel Brizola são simpáticos à ideia, mas o presidente do partido, Carlos Lupi, negocia apoio ao governador Pezão.


terça-feira, 8 de abril de 2014

Tarso Genro: “anti-política da mídia gera graves desigualdades eleitorais”

Tarso Genro: “As eleições deste ano serão atípicas, pois, ao mesmo tempo que sofremos um efeito brutal da crise mundial, que nos atinge todos os dias, a oposição não tem qualquer credibilidade para vencer e governar o país. ” (Foto: Ramiro Furquim/Sul21)
Tarso Genro: “As eleições deste ano serão atípicas, pois, ao mesmo tempo que sofremos um efeito brutal da crise mundial, que nos atinge todos os dias, a oposição não tem qualquer credibilidade para vencer e governar o país. ” (Foto: Ramiro Furquim/Sul21)
Por Marco Weissheimer no Sul 21
“A anti-política, presente nos grandes meios de comunicação dominantes do país, é uma forma refinada de fazer política, que gera graves desigualdades nas disputas eleitorais, no âmbito da democracia, como estamos vendo aqui no Rio Grande do Sul”. A afirmação é do governador Tarso Genro (PT) que, em entrevista ao Sul21, aponta aquelas que considera ser as principais premissas da disputa eleitoral este ano no Estado. O chefe do Executivo não quis comentar diretamente o resultado da pesquisa Ibope, contratada pela RBS, divulgada neste fim de semana e que coloca dois ex-jornalistas da empresa, Ana Amélia Lemos (PP) e Lasier Martins (PDT), na liderança das disputas para o Piratini e o Senado, respectivamente, mas criticou a distorção que essas candidaturas de personalidades midiáticas causam na política.
“A campanha eleitoral destes indivíduos, às vezes transita por décadas, contra aqueles que estão nas agruras do dia-a-dia, na ação política, expondo-se na plenitude do debate democrático e arriscando, frequentemente, o seu patrimônio moral e material e, não raro, atacados, com ou sem causa, pela grande mídia”, diz Tarso Genro.
Qual sua avaliação sobre o resultado a pesquisa Ibope divulgada neste final de semana pela RBS?
Tarso Genro: Não vou comentar a pesquisa sobre a disputa sobre o Governo do Estado porque, neste momento, acho mais importante discutirmos as premissas políticas mais amplas, sobre as quais se realiza esta eleição, do que as preferências eleitorais momentâneas. As eleições deste ano serão atípicas, pois, ao mesmo tempo que sofremos um efeito brutal da crise mundial, que nos atinge todos os dias, a oposição não tem qualquer credibilidade para vencer e governar o país. Nas eleições anteriores, os efeitos da crise do capitalismo ainda atingiam pouco o Brasil, mas agora eles estão cobrando a conta. Precisam extorquir dos Brics – através de um novo surto de elevação dos juros – os avanços que conquistamos no último período, para assim financiar a recuperação das suas economia deterioradas.

E quais seriam essas premissas políticas mais amplas que estariam no centro da disputa eleitoral de 2014?
Tarso Genro: É visível que, tanto aqui no Estado, como nacionalmente, não só os candidatos alinhados com o patrimônio político do PT e de Lula estão sob ataque, desta vez, articulado e muito mais pesado do que em outras oportunidades. Mas é visível, também, que se amplia o processo de desmoralização das instituições políticas de Estado e dos partidos em geral, promovido conscientemente pela grande mídia.

Alimenta-se, nacionalmente, a perspectiva de surto inflacionário (ao mesmo tempo que são secundarizados os casos de corrupção demo-tucanos); a Copa deixa de ser um grande evento mundial de caráter esportivo e torna-se um problema para as finanças públicas; faz-se uma forte tentativa de deterioração do patrimônio público com ataques para destruir a Petrobrás e desvalorizar o BNDES; e, sobretudo, acentua-se a campanha para desvalorizar a política e os políticos, tornando os desvios de conduta e as ilegalidades, um patrimônio negativo de todos os partidos; aí, indistintamente, sejam partidos de oposição, de direita, esquerda ou de ultraesquerda: é a busca do fim da política para colocar, em lugar dela, a técnica, o pragmatismo e a insensibilidade burocrática, que sempre foi uma característica de uma direita específica, aquela alinhada com o neoliberalismo e com a redução das funções públicas do Estado, que não é, aliás, uma característica de toda a direita.
Trata-se de uma tática golpista de novo tipo. À medida que você desvaloriza os ritos democráticos e republicanos, tornando regra o que é, não exceção, mas parte minoritária do jogo político, você cansa as pessoas da democracia e começa ser quebrado o ovo da serpente: o cansaço da democracia leva as pessoas comuns a terem saudades do autoritarismo e do silêncio das ruas. Como hoje não podem contar com as Forças Armadas, que estão profissionalizadas e cumprindo as suas funções constitucionais, o caminho mais adequado é a desmoralização do público, a desmoralização dos partidos e a desmoralização dos políticos em geral. Mas, prestem atenção, à medida que fazem isso fabricam seus próprios políticos, extraídos do seu meio ou não, como fizerem com o desaparecido Demóstenes e tentaram fazer com o atual Presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, que, no particular, não aceitou o papel que tentaram lhe reservar.
Quais setores políticos e sociais, na sua avaliação, estariam abraçando isso que chama de “tática golpista de novo tipo”? O seu diagnóstico aponta também uma articulação desses setores com empresas de comunicação. Como essa aliança estaria se expressando, na prática?
Tarso Genro: Não se trata de uma simples conspiração, na qual as pessoas reúnem-se no escuro e resolvem terminar com o projeto democrático em construção ou em renovação, em muitos países do mundo. Trata-se de uma nova forma, operada através dos grandes grupos de mídia, de partidarização, no âmbito da democracia política moderna, dos meios de comunicação de massa. É um recurso político para sustentar os interesses imediatos das novas elites mundiais, controladoras dos fluxos financeiros e da acumulação especulativa, para que o lucro e os pagamentos da dívidas públicas não sofram qualquer restrição. Estas elites, é óbvio, juntamente com o Estado – que é refém destas mesmas elites credoras – financiam, não só através da publicidade, os grandes grupos de mídia, que tratam a política, a cultura, a violência, segundo os seus valores e os seus interesses mercantis, não segundo o seu dever constitucional.

Assim como os Estados, hoje, são refém da especulação financeira global em função da dívida pública, os grandes grupos de comunicação – locais e globais – são extensões deste mesmo poder e tornam-se partidarizados; ou seja, tornam-se partes do jogo político, muito menos informando e muito mais orientando o Estado, segundo a sua visão de mundo e as suas necessidades como empresas. Ao mesmo tempo, proclamam o fracasso do Estado e também tentam selecionar os que podem, ou não governar. O sucesso desta investida é sempre relativo, pois, como hoje temos a informação circulando em redes e outros meios alternativos de informação, embora o jogo político torne-se desigual, ainda é um jogo político dentro da democracia, ainda que, neste caso, relativa.
Relativa porque, na disputa política entre partidos no âmbito do Parlamento, por exemplo, você tem ataques e respostas, respostas e ataques, em condições de igualdade. Mas, nos ataques, às vezes manipulados ou nas mentiras deslavadas da mídia partidarizada, as condições de disputa não são democráticas. As respostas que dão os partidos ou os agentes políticos, em geral, são publicadas apenas de forma residual ou manipuladas, em termos editoriais, quando, não raro, os jornais ou TVs não partem para novos ataques, sem publicar qualquer resposta.
Qual deve ser, na sua opinião, a resposta que deve ser dada a essa tática? 
Tarso Genro: Isto serve para qualquer Partido. A solução, para isso, não é, evidentemente, qualquer tipo de censura ou mesmo atacar, em geral, os jornalistas que estão ali trabalhando, como os empregados trabalham em qualquer empresa, a saber, dentro da estratégia empresarial dos donos do negócio. A solução é pactuar novas regras para a democratização das concessões, regrar a obrigatoriedade de pluralizar a informação política, qualificar a rede pública, em todos os âmbitos, bem como travar uma batalha em torno de uma ética pública sobre as finalidades da comunicação, para que ela seja menos mercadoria, menos violência, mais cultura e informação isenta e de qualidade.

Essa última pesquisa Ibope aponta na liderança da corrida eleitoral para o governo do Estado e para o Senado dois ex-jornalistas da RBS que tiveram uma grande exposição midiática nas últimas décadas. Isso chega a representar um fator de desequilíbrio?
Tarso Genro: Esta pesquisa, em especial, aponta um sintoma nas eleições estaduais que confirma as análises que costumo fazer sobre a grande mídia, como partido, naquele sentido de ser parte do debate político para, de forma unilateral, desconstituir as instituições políticas e transitar voluntariamente ou automaticamente, se quiserem, seus interesses.

Não tomem estas observações como crítica pessoal a um candidato, mas como revelação do que ele enseja, com a sua candidatura. É um jornalista que dedicou grande parte da sua vida a colocar a política e os partidos como envoltos num mar de corrupção e de incompetência, fazendo uma figuração de profeta das mazelas de todos em defesa da comunidade e da pureza da suas próprias intenções. Sem direito às respostas, é óbvio, na mesma proporção dos seus ataques.
Ora, é um estilo bem conhecido na estado atual da crônica política nacional e, até aí, nada demais. Mas, logo ele se torna candidato ao Senado e então aparece, nas disputas para aquela casa da Federação, sem ter tido qualquer participação na vida partidária, no contencioso democrático público ou na gestão pública. E aparece com larga vantagem sobre dois ex-Governadores e uma ex-Senadora, todos com extensa vida partidária e sobre os quais não pende qualquer passivo moral ou penal. Sua apresentação pública como candidato ocorre, depois dele ter tido um largo espaço, em horário nobre na TV em que trabalha, para anunciar que a sua candidatura vem para corrigir as mazelas da vida pública e purificar a esfera da política, com a sua personalidade invulgar.
Ora, que ele aproveite esta oportunidade faz parte da nossa democracia, mas seu proveito não pode nos impedir de manifestar a convicção de que a anti-política, presente nos grandes meios de comunicação dominantes do país, é uma forma refinada de fazer política, que gera graves desigualdades nas disputas eleitorais, no âmbito da democracia, como estamos vendo aqui no Rio Grande do Sul, não só no Senado.
Que desigualdades são estas exatamente, na sua avaliação?
Tarso Genro: A campanha eleitoral destes indivíduos, às vezes transita por décadas, contra aqueles que estão nas agruras do dia-a-dia, na ação política, expondo-se na plenitude do debate democrático e arriscando, frequentemente, o seu patrimônio moral e material e, não raro, atacados, com ou sem causa, pela grande mídia. O que é surpreendente é que os partidos, todos, inclusive os chamados de extrema esquerda, muitas vezes são coniventes com a sua própria utilização para degradar a política. Na hora de tirar proveito, os partidos em geral tem sempre a tentação de pactuar com a grande mídia a sua condição de udenismo bossa nova. Ressalte-se, também, que nem todos os candidatos que vêm da mídia fizeram o seu prestígio atacando a política e os partidos. Muitos trabalharam na profissão que abraçaram de forma comum, até mesmo prestando serviços de interesses público à comunidade.

Qual o impacto que esse seu discurso crítico sobre a atuação das grandes empresas de mídia na política pode ter junto ao eleitorado?
Tarso Genro: Às vezes as pessoas me perguntam porque, como Governador, eu entro em debates como esse, pois isso pode me prejudicar com setores da classe média, que frequentemente formam as suas opiniões através desta grande mídia, ordinariamente sem maior profundidade. Por dois motivos, eu sempre digo: primeiro, porque prezo a liberdade de imprensa e porque sei que no interior – mesmo dentro das grandes empresas de comunicação – tem muitas pessoas respeitáveis politicamente, que prezam os valores democráticos; segundo, porque hoje estamos lidando com uma luta mais complexa do que simplesmente lutar pela democracia. É uma luta contra a degradação da República e da democracia, ambas torturadas pelo fato dos Estados de Direito se tornarem reféns do capital financeiro especulativo. E esta situação estimula um novo tipo de golpismo, que é o de corroer a viabilidade da democracia como momento importante para construir novos patamares de igualdade e solidariedade social.

terça-feira, 1 de abril de 2014

segunda-feira, 31 de março de 2014

PT-RJ promove Seminário "RJ - O ESTADO E SUAS CIDADES" com a presença do Senador Lindberg Farias

O PT do Rio promove hoje seminário "RJ - O estado e suas cidades" com a participação do senador Lindberg Farias.




Dia: 31/03/2014
Hora:18:00
Local: Auditório da CAARJ
Av. Marechal Câmara, 210
Centro - Rio de Janeiro

sexta-feira, 28 de março de 2014

HOMENAGEM A EDSON LUIS - "MATARAM UM ESTUDANTE. PODIA SER SEU FILHO!" - 28 de Março de 1968


"MATARAM UM ESTUDANTE. PODIA SER SEU FILHO!"

28 de Março de 1968

Edson Luís de Lima Souto, paraense, estudante secundarista, na época com 18 anos de idade, há dois meses morava, estudava e trabalhava no Rio de Janeiro e frequentava o restaurante "Calabouço".


Morto pela Polícia Militar durante protesto contra o fechamento do restaurante que atendia estudantes no Centro da cidade. Seus colegas resgataram seu corpo em meio ao confronto para garantir que os militares não desaparecessem com ele. Pessoas que saíam de uma missa feita em homenagem a Edson foram atacadas pela cavalaria da Polícia Militar e outra missa foi proibida pelo governo, e a Igreja cercada pela cavalaria e Fuzileiros Navais.

Após seu assassinato vários protestos massivos se espalharam por todo país contra o Regime Militar. Desde então o dia 28 de março ficou conhecido como Dia do Estudante. (Centro Brasileiro de Solidariedade aos povos)



Fiz parte do GELEL nos anos de 1991 e 1992.

EDSON LUÍS, PRESENTE !!!!

ASAERLA promove Workshop de Planejamento e Controle de Obras em Cabo Frio

             A ASAERLA organizou um  Workshop de Planejamento e Controle de Obras, que foi realizado nos dias 26 e 27/03, na Universidade Veiga de Almeida (UVA), em Cabo Frio, com carga horária de 12 horas.

             Com os esforços e parceria da ASAERLA e do SENGE-RJ, o curso que tem o investimento de R$700,00, foi  oferecido gratuitamente aos associados e estudantes dos cursos de Engenharias da UVA.

         Na abertura do  Workshop participaram Engº Luciano Silveira, representando a ASAERLA, o Engº Luiz Antônio Cosenza, representando o SENGE,  e a Engª Eliene Flora, representando a UVA.